
Na próxima quinta-feira, 4 de junho de 2026, as Comunidades Paroquiais da Diocese de Blumenau celebram a solenidade de Corpus Christi, ou dita também Corpo de Cristo, ou ainda, Corpo de Deus. Na Catedral de Blumenau, às 05 da madrugada, inicia-se a confecção dos tapetes pelas ruas centrais da cidade. Grupos pastorais, movimentos e associações religiosas articulam-se para que os ornamentos sejam os mais dignos e bonitos. Às 9h, na mesma igreja central da cidade, Dom Rafael Biernaski preside a santa missa alusiva à solenidade, seguida da procissão. Trata-se de um ritual que homenageia a presença de Cristo, realmente presente no sacramento da Eucaristia. A Igreja Católica Apostólica Romana ensina que, além de presença real, o Senhor ali está em corpo, sangue, alma e divindade, como alimento da fé, da caridade e da esperança dos filhos e filhas de Deus. É comemorada nas comunidades católicas de todo o mundo.
Origens
Esta solenidade teve origem na Bélgica, no século 13, com as visões místicas de uma religiosa agostiniana, santa Juliana de Cornillon, e que foram assumidas pela Igreja. Essa revelação apontava uma lacuna na liturgia cristã: faltava uma festa de adoração e louvor públicos a Jesus Cristo presente no sacramento da Eucaristia. A respectiva data foi instituída oficialmente em 1264 pelo Papa Urbano IV. Providencialmente, no ano anterior, 1263, em Bolsena, Itália, ocorreu um dos mais famosos milagres eucarísticos. O padre Pedro de Praga estava em peregrinação na Basílica de Santa Cristina e tinha dificuldade em acreditar que o pão e o vinho se transformavam no corpo e sangue de Cristo. No momento da consagração, milagrosamente, ele e a comunidade presente ao ato religioso viram escorrer sangue da hóstia consagrada sobre suas mãos e as toalhas do altar. Ainda hoje, essas sacratíssimas relíquias estão expostas naquela basílica para adoração de fiéis peregrinos que initerruptamente, para lá acorrem e desafia as mais atualizadas análises científicas, pois o mesmo sangue conserva-se perenemente vivo. O maravilhoso fenômeno fez com que a festa de Corpus Christi ganhasse
imediata difusão pelo mundo todo.
Missa e procissão
Compõem essa solenidade, sempre celebrada na quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, a santa missa e a procissão por ruas adjacentes ao templo. Especialmente a procissão significa o povo de Deus, a humanidade, caminhando com Cristo, único Caminho de verdadeira paz e justiça no mundo. Aderindo a essa mesma certeza da presença real do Senhor Jesus no pão consagrado, os fiéis católicos e amigos de outros credos, de mil e uma formas, destacando-se os tradicionais e coloridos tapetes, enfeitam o trajeto por onde o sacerdote conduz o ostensório, recipiente sagrado que contém o santíssimo sacramento.
Quintas-feiras santificadas
Segundo a tradição, numa quinta-feira, Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia. Por isso, Corpus Christi, no Brasil e outros países, é sempre celebrado numa quinta-feira. Mas expande-se um consequente costume de tornar toda quinta um dia votivo à Eucaristia. Mais do que aprovar iniciativa tão oportuna e significativa, essa prática merece a nossa adesão sincera. Ela vem reforçar o que São João Paulo II afirmou em sua carta encíclica Ecclesia de Eucharistia: “A Igreja nasce da Eucaristia”. E se nós somos Igreja, a cada dia, nascemos todos desse Sacramento. “Pão da vida” autodeclara-se o Senhor em João 6,35.
Pe. Raul Kestring – Blumenau, 01 de junho de 2026





