Padres em apuros em plena Floresta Atlântica

Crédito da imagem: Prefeitura Municipal de Rodeio - Portal de Turismo
Crédito da imagem: Prefeitura Municipal de Rodeio – Portal de Turismo

Comemorava-se o Dia do Padre, transcorrente todo dia 4 de agosto. Os padres e o bispo, Dom Rafael, da Diocese de Blumenau, de ônibus, no dia seguinte, visitavam o Eremitério Beato Frei Egídio de Assis, situado numa montanha, a 12 km da cidade de Rodeio e a 750 m acima do nível do mar. Conheceram, ali, o guardião e bispo Dom Frei Luiz Flavio Cappio, sua franciscanidade de simplicidade, de sincera hospitalidade, e uma típica construção medieval religiosa. Naquela época, era refúgio de eremitas desejosos de fugir do mundo e viverem sua “solidão povoada”, na expressão do meu professor de Teologia, o saudoso Pe. Paulo Bratti. Povoada, sim, porque a pessoa que vive na presença de Deus, está acompanhada dos anjos e santos, de todo o céu.

Logo, à chegada, o ônibus e outro veículo que nos acompanhava não conseguiram vencer a última e íngreme subida, quase à porta do Eremitério. O jeito foi lançar-se a pé, cuidando para não escorregar no paralelepípedo encharcado e com pequenas e viçosas ervas nos seus encaixes. A fraterna acolhida de Dom Cappio recuperou as forças. E a experiência naquele recanto foi extraordinária, memorável. Belíssima iniciativa de celebração do Dia do Padre.

Mas quando iniciou-se a volta, continuava garoando. E, numa outra subida, o ônibus, repentinamente, resvalou e ficou atravessado na estreita estrada. A parte da frente ficou a pouco mais de um metro de distância de uma grota, da qual não se via o fundo por causa da neblina. A parte de trás ficou quase encostada no outro lado, quase encostada ao barranco. Duas, três, tentativas de o motorista fazer voltar o veículo ao leito da estrada; e o resultado: somente persistente e frustrante patinação. Os padres e o bispo foram intimados a empurrarem o veículo, pelo menos para que não deslizasse mais ainda na direção da grota. Apesar do verdadeiro alarido de comandantes que ecoava floresta a dentro e, talvez, sem tanta força, o resultado foi nulo.

Alguns levavam areia para debaixo dos pneus. Outros buscavam pedaços de madeira e alguma pedra para o mesmo fim. E nada de desencalhe. A um certo momento, o motorista, já meio desencorajado, manifestou outra ideia: que todos os passageiros subissem para dentro da condução e se dirigissem à parte da trás, na intenção de que o peso ajudasse na dramática solução. Mas, os pneus levantaram, sim, uma fumaça mais densa; e nada de sucesso. E o perigo da escorregada para o “abismo” rondava as imaginações, especialmente as mais “apocalípticas”. E uma enxada? Ou enxadão? Cavar em volta dos pneus, talvez seria “a” saída. Mas, naquela floresta, onde encontrar? Onde buscar? O Eremitério já distava bem uns 5 ou 6 kms! Lá vai o veículo de passeio que acompanhava os peregrinos buscar as ferramentas. Adiantava-se ele a uns cinquenta metros quando um alarido mais forte, comovente até, consegue chamar o carro de volta. Não se sabe como isso aconteceu! Numa acelerada do motorista, o desencalhe havia sucedido. Aliviados, cansados e molhados, os membros da seleta caravana espicharam-se às poltronas e seguiram seu retorno, quase como os apóstolos, naquela outra dramática situação: na travessia do mar da Galiléia.

Pe. Raul Kestring – Blumenau, 30 de agosto de 2025

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